Quem toma AAS pode doar sangue?
Depende do tipo de doação. O AAS não impede a doação de sangue total, mas bloqueia a função das plaquetas por vários dias e por isso adia a doação de plaquetas por aférese.
O AAS, ácido acetilsalicílico, é um anti-inflamatório usado em dose baixa para prevenir infarto e AVC e em dose alta para dor e febre. Ele bloqueia de forma irreversível uma enzima das plaquetas, a ciclo-oxigenase, e o efeito dura enquanto essas plaquetas estiverem em circulação, cerca de sete a dez dias.
O que o hemocentro avalia
A resposta muda conforme o tipo de coleta:
- Doação de sangue total: liberada, o AAS não é motivo de recusa nesse caso
- Doação de plaquetas por aférese: adiada por cerca de 5 dias após a última dose, porque o produto coletado seria só plaquetas com a função comprometida
- Uso ocasional, uma dose isolada para dor de cabeça, por exemplo: conte à triagem quando foi a última dose, o cálculo dos 5 dias parte dali
Dicas para quem usa AAS
- Informe na triagem se o uso é contínuo, para prevenção cardiovascular, ou pontual
- Para doar plaquetas, planeje a coleta para depois do intervalo de 5 dias sem o medicamento, com liberação médica prévia se o AAS for de uso contínuo
- Para doação de sangue total, não há necessidade de suspender o AAS
No Brasil
Os critérios seguem a Portaria de Consolidação nº 5/2017 do Ministério da Saúde e a RDC nº 34/2014 da Anvisa, que tratam o AAS como contraindicação temporária específica para aférese de plaquetas, sem impedir a doação de sangue total.