Quem tem cardiopatia pode doar sangue?
Depende do tipo e gravidade. Cardiopatias congênitas corrigidas e estáveis podem ser avaliadas individualmente. Insuficiência cardíaca, arritmias graves ou cardiopatia isquêmica ativa geralmente contraindicam a doação.
"Cardiopatia" é um termo amplo que engloba diversas doenças do coração. A aptidão para doação de sangue varia muito conforme o diagnóstico específico, gravidade e estado clínico atual.
Cardiopatias que geralmente contraindicam a doação
- Insuficiência cardíaca (IC) de qualquer grau — a retirada de 450 mL de sangue pode descompensar o quadro
- Cardiopatia isquêmica ativa (angina instável, infarto recente — ver FAQ específica sobre infarto)
- Arritmias graves sem controle (fibrilação ventricular, taquicardia ventricular sustentada)
- Miocardiopatia dilatada ou hipertrófica sintomática
- Valvulopatias graves com repercussão hemodinâmica
- Cardiopatia congênita não corrigida com cianose ou descompensação
Cardiopatias que podem permitir avaliação individual
- Cardiopatia congênita corrigida cirurgicamente, estável há anos, sem medicamentos contraindicados
- Prolapso de válvula mitral assintomático sem arritmia significativa
- Arritmias controladas (ex: extrassístoles isoladas benignas)
- Marcapasso ou desfibrilador implantável (CDI): avaliação individual — dispositivo implantado não é contraindicação per se, mas a doença subjacente costuma ser
Medicamentos cardiovasculares e doação
- Beta-bloqueadores (atenolol, metoprolol, carvedilol): geralmente aceitos — informar na triagem
- Anti-hipertensivos (enalapril, losartana, amlodipina): geralmente aceitos
- Anticoagulantes (varfarina, rivaroxabana, apixabana): contraindicam doação durante uso
- Antiarrítmicos (amiodarona, propafenona): avaliação individual; amiodarona tem longa meia-vida
- Digoxina: avaliação individual
- Estatinas: geralmente aceitas
Infarto do miocárdio anterior
Ver FAQ específica "Quem teve infarto pode doar sangue?" para os critérios detalhados.
Na triagem
Informe o diagnóstico cardíaco completo, histórico cirúrgico, dispositivos implantados e todos os medicamentos. O médico hemoterapeuta avaliará o risco cardiovascular da própria coleta.