Como o sangue doado chega ao hospital?
O sangue é coletado, testado, fracionado em componentes e armazenado no hemocentro. Hospitais fazem pedidos ao banco de sangue conforme a necessidade de cada paciente.
Do doador ao paciente: o caminho do sangue
1. Coleta
A bolsa de sangue (cerca de 450 ml) é coletada no hemocentro ou em drives de doação. Cada bolsa recebe um código de rastreamento único.
2. Testes laboratoriais
Antes de qualquer uso, o sangue passa por triagem sorológica obrigatória (RDC 34/2014):
- HIV 1 e 2
- Hepatite B e C
- Sífilis (VDRL)
- Doença de Chagas
- HTLV I e II
- Malária (em regiões endêmicas)
Resultado esperado: 24 a 72 horas após a coleta.
3. Fracionamento
O sangue total é separado por centrifugação em três componentes:
| Componente | Uso | Validade |
|---|---|---|
| Concentrado de hemácias | Anemias, cirurgias, traumas | 35–42 dias (4°C) |
| Concentrado de plaquetas | Quimioterapia, dengue grave | 5 dias (agitação constante) |
| Plasma fresco congelado | Coagulopatias, queimados | 1 ano (-18°C) |
4. Estoque no banco de sangue
Cada hemocentro mantém estoque próprio e distribui para hospitais da sua rede. No Brasil, a rede é coordenada pelo Ministério da Saúde via Hemorrede.
5. Pedido hospitalar
O médico solicita transfusão especificando tipo sanguíneo, componente e volume. O banco de sangue do hospital (ou o hemocentro regional) entrega em caixas isotérmicas com controle de temperatura.
6. Tipagem e compatibilidade
Antes da transfusão, o laboratório do hospital faz prova cruzada — testa o sangue do doador contra o soro do receptor para confirmar compatibilidade.
Por que o estoque pode faltar
Plaquetas duram só 5 dias. Em feriados prolongados ou queda nas doações, o estoque esgota rapidamente — especialmente tipos O negativo e AB.