O que acontece com o sangue doado depois da coleta?
Após a coleta, o sangue é processado e separado em componentes — hemácias, plaquetas e plasma — que são testados, armazenados e distribuídos para hospitais conforme a necessidade dos pacientes.
Depois que você faz a doação, o sangue percorre um caminho cuidadoso antes de chegar ao receptor. Esse processo é essencial para garantir a segurança e a eficiência do uso de cada doação.
1. Coleta
Durante a doação, são coletados aproximadamente 450 ml de sangue total, além de pequenas amostras para exames laboratoriais. Todo o material é identificado com um código único que rastreia o sangue do doador até o receptor.
2. Processamento e fracionamento
No laboratório, o sangue total é centrifugado e separado em três componentes principais:
- Hemácias (concentrado de glóbulos vermelhos): transportam oxigênio pelo corpo; usadas em anemias severas, cirurgias e hemorragias
- Plaquetas: responsáveis pela coagulação; usadas em pacientes com trombocitopenia, leucemia e quimioterapia
- Plasma: parte líquida do sangue com proteínas e fatores de coagulação; usado em queimaduras, hepatite fulminante e produção de hemoderivados
Dessa forma, uma única doação pode beneficiar até três pacientes diferentes.
3. Testes laboratoriais obrigatórios
Antes de qualquer uso, o sangue é testado para:
- HIV (tipos 1 e 2)
- Hepatites B e C
- Doença de Chagas
- Sífilis
- HTLV I/II (vírus linfotrópico de células T humanas)
- Malária (em regiões endêmicas)
Bolsas com resultado positivo são descartadas de forma segura e o doador é notificado e encaminhado para acompanhamento médico.
4. Armazenamento
Cada componente tem condições específicas de conservação:
| Componente | Temperatura | Validade |
|---|---|---|
| Hemácias | 2°C a 6°C | 35 a 42 dias |
| Plaquetas | 20°C a 24°C (agitação contínua) | 5 a 7 dias |
| Plasma fresco congelado | -18°C ou menos | Até 1 ano |
5. Distribuição
Após liberação laboratorial, os componentes são distribuídos para hospitais e clínicas conforme a demanda, priorizando urgências e compatibilidade de tipo sanguíneo.
Por que isso é importante para o doador?
Saber que sua doação passa por todo esse processo de segurança pode ajudar a entender por que os hemocentros têm critérios rigorosos de triagem e por que cada doação tem tanto valor.