Exposição sexual de risco recente impede a doação de sangue?
Sim. Relação sexual desprotegida com parceiro de status sorológico desconhecido ou com risco para HIV e ISTs pode exigir período de avaliação de até 12 meses antes de doar.
Exposição sexual de risco e doação de sangue
A triagem para doação de sangue inclui perguntas sobre comportamentos sexuais de risco — não para discriminar, mas para identificar o período de janela imunológica de doenças transmissíveis como HIV, hepatite B e sífilis.
O conceito de "janela imunológica"
Após uma infecção por HIV, por exemplo, existe um período de semanas a meses em que o vírus já está no organismo mas os testes convencionais ainda não detectam. Se uma pessoa doar nesse período, o sangue pode transmitir a infecção mesmo que os exames voltem negativos.
O que é considerado exposição de risco
| Situação | Conduta |
|---|---|
| Relação sexual desprotegida com parceiro com HIV ou hepatite conhecidos | **12 meses** de inaptidão |
| Relação sexual desprotegida com parceiro de status desconhecido (ocasional) | Avaliado individualmente na triagem — geralmente 6 a 12 meses |
| Múltiplos parceiros sem preservativo em período recente | Avaliado individualmente |
| Uso de PrEP (profilaxia pré-exposição) | Inaptidão temporária durante o uso — ver FAQ específico |
| Relação sexual com uso consistente de preservativo | Sem restrição específica por isso |
A triagem não é discriminatória
Desde a RDC 722/2022 da Anvisa (em resposta à decisão do STF em 2020), os critérios de risco são aplicados com base em comportamentos individuais — não em orientação sexual, identidade de gênero ou tipo de relacionamento. Qualquer pessoa de qualquer orientação que tenha tido exposição de risco recente passa pela mesma avaliação.
Seja honesto na triagem
A triagem é confidencial. As informações fornecidas não são compartilhadas com terceiros, empregadores ou planos de saúde. Omitir informações relevantes não protege o doador — protege apenas o vírus, em detrimento de quem vai receber o sangue.