O que significa a sigla ABO usada para classificar o tipo sanguíneo?
As letras A e B representam os antígenos que podem estar presentes na superfície das hemácias. O não é uma letra de antígeno, e sim uma referência à ausência dos dois antígenos, vindo da ideia de zero ou nulo nesse sentido.
Quando Karl Landsteiner descobriu os grupos sanguíneos em 1901, ele nomeou os três primeiros grupos identificados como A, B e C, batizados conforme o antígeno presente na superfície das hemácias de cada grupo.
Por que o grupo C virou O
O grupo que Landsteiner chamou inicialmente de C era caracterizado justamente pela ausência dos antígenos A e B, não pela presença de um terceiro antígeno próprio. Com o tempo, esse grupo passou a ser identificado pela letra O, uma escolha comumente associada à palavra alemã para zero ou nulo, reforçando a ideia de ausência de antígeno, embora o próprio formato da letra O também lembre visualmente um zero.
De onde veio o quarto grupo, AB
O grupo AB não fazia parte da classificação original de Landsteiner. Ele foi identificado dois anos depois, em 1902, por outros dois pesquisadores, Alfred von Decastello e Adriano Sturli, que trabalhavam no mesmo laboratório de Landsteiner e encontraram pacientes cujo sangue reagia como A e B ao mesmo tempo, completando o sistema de quatro grupos que usamos até hoje.
Por que essa nomenclatura pegou e se tornou padrão mundial
A simplicidade de usar só três letras pra descrever um sistema com implicações médicas tão importantes ajudou a nomenclatura ABO a se espalhar rapidamente pela comunidade médica internacional, tornando-se o padrão universal de classificação sanguínea usado até hoje em qualquer hemocentro do mundo, independente do idioma local.
O sistema Rh usa a mesma lógica de nomenclatura
Não exatamente. O fator Rh, descoberto décadas depois por Landsteiner em conjunto com Alexander Wiener, recebeu o nome em referência ao macaco Rhesus usado na pesquisa, uma origem completamente diferente da lógica de letras do sistema ABO.