Pessoa cadeirante ou paraplégica pode doar sangue?
Em muitos casos, sim. A cadeira de rodas ou a paraplegia por si só não é critério de exclusão. O que importa é o estado de saúde geral, a causa da paraplegia e a capacidade de manter a posição durante a coleta.
Paraplegia, cadeirante e doação de sangue
A deficiência física motora — incluindo paraplegia, tetraplegia e uso de cadeira de rodas — não é listada como critério de inaptidão na RDC 34/2014 da Anvisa. A avaliação é individual, com foco no estado clínico e nas condições práticas para a doação.
O que o hemocentro avalia
1. Causa da paraplegia: lesão medular por trauma (acidente), tumor, doença autoimune (esclerose múltipla) ou congênita têm avaliações diferentes:
| Causa | Situação |
|---|---|
| Lesão medular por trauma (sem doença de base ativa) | Geralmente apto — avaliação individual |
| Esclerose múltipla | Inaptidão permanente na maioria dos protocolos |
| Tumor medular maligno | Segue critérios oncológicos |
| Mielite transversa curada | Avaliação individual |
2. Complicações secundárias frequentes: - Infecções urinárias recorrentes (muito comuns em lesados medulares): inaptidão durante o episódio + 7 dias após o antibiótico - Escaras infectadas: inaptidão temporária até cura - Uso de antibióticos profiláticos contínuos: avaliado individualmente
3. Condições práticas para a doação: - O hemocentro precisa conseguir realizar a punção venosa — geralmente no braço - O doador precisa manter o braço estendido e estável por 8 a 12 minutos - Cadeiras de rodas são acomodadas na maioria das unidades de coleta
Tetraplegia
Para tetraplégicos, a avaliação clínica é mais complexa pela possibilidade de disreflexia autonômica (resposta exagerada do sistema nervoso autônomo a estímulos abaixo da lesão). O médico de triagem deve ser consultado antes.
O que fazer
Ligue antes para o hemocentro e explique a situação. A maioria das unidades consegue fazer adaptações para receber doadores com mobilidade reduzida. O mais importante é a avaliação clínica individual.