Quem tomou soro antiofídico por picada de cobra pode doar sangue?
Não logo depois. O soro antiofídico é feito com proteínas de origem animal, e a picada em si já causa inaptidão temporária até a recuperação completa do envenenamento.
A picada de cobra peçonhenta, tratada com soro antiofídico específico pra cada tipo de veneno, envolve dois fatores que o hemocentro avalia separadamente: a própria lesão e o envenenamento sistêmico, e a reação ao soro, que é produzido a partir de anticorpos de origem equina.
O que o hemocentro avalia
- Picada recente, em tratamento ou recuperação: doação bloqueada até a recuperação completa do quadro, incluindo função renal e hepática normalizada, já que o veneno pode afetar esses órgãos
- Uso do soro antiofídico: por ser um produto biológico de origem animal, pode causar reação de hipersensibilidade, e o hemocentro costuma aguardar um período livre de sintomas antes de liberar a doação
- Picada sem envenenamento significativo, como de cobra não peçonhenta: avaliação mais simples, focada apenas na cicatrização do local
- Sequelas duradouras do envenenamento: alguns casos mais graves podem deixar sequelas que exigem avaliação médica individualizada antes de retomar a doação
Dicas para quem sofreu picada de cobra
- Aguarde a alta médica completa e a confirmação de que os órgãos afetados voltaram ao normal
- Informe detalhadamente o ocorrido na triagem, incluindo se recebeu soro antiofídico
- Leve relatório médico do atendimento, se possível, pra agilizar a avaliação no hemocentro
No Brasil
Os critérios seguem a Portaria de Consolidação nº 5/2017 do Ministério da Saúde, que trata acidentes com animais peçonhentos e uso de soros heterólogos como motivo de inaptidão temporária até a recuperação completa.