O que acontece se o sangue doado estiver contaminado?
Todo sangue doado passa por testes laboratoriais obrigatórios. Se alguma infecção for detectada, o sangue é descartado e o doador é notificado confidencialmente.
A segurança do sangue transfundido no Brasil é garantida por um rigoroso sistema de triagem clínica e laboratorial. Mesmo assim, é importante entender o que acontece quando uma amostra apresenta resultado positivo ou inconclusivo nos testes.
Testes obrigatórios realizados em cada doação
De acordo com a RDC nº 34/2014 da Anvisa, todo sangue coletado no Brasil deve ser testado para:
- HIV (vírus da imunodeficiência humana) — tipos 1 e 2
- HTLV (vírus linfotrópico de células T humanas) — tipos I e II
- Hepatite B (HBsAg e anti-HBc total)
- Hepatite C (anti-HCV)
- Sífilis (testes treponêmicos e não treponêmicos)
- Doença de Chagas (anti-Trypanosoma cruzi)
- Malária — obrigatório apenas em regiões endêmicas
Além disso, é obrigatória a tipagem ABO e Rh, além da pesquisa de anticorpos irregulares.
O que acontece se o resultado for positivo ou inconclusivo?
1. O sangue é descartado: Nenhuma bolsa com resultado positivo ou inconclusivo em qualquer dos testes obrigatórios é liberada para uso clínico. O descarte é imediato e segue protocolos de biossegurança.
2. O doador é notificado: O hemocentro tem obrigação legal de notificar o doador sobre resultados alterados, de forma confidencial e sigilosa. Essa notificação é feita por contato direto (telefone ou carta) e orienta o doador a buscar atendimento médico especializado.
3. Encaminhamento para saúde pública: Dependendo da infecção detectada, o caso pode ser notificado às autoridades de saúde pública, conforme a Lei de Notificação Compulsória (Lei nº 6.259/1975).
4. Quarentena de doações anteriores: Se o doador tiver histórico de doações anteriores no sistema, os hemocentros podem revisar e, quando necessário, rastrear bolsas anteriores — um processo chamado de *look-back*.
Pode um doador de boa-fé transmitir doença mesmo sendo testado?
Sim, existe a chamada janela imunológica — o período entre a infecção e o momento em que o vírus ou anticorpo pode ser detectado nos testes. Para o HIV, essa janela é de cerca de 9 a 11 dias com os testes de NAT (ácido nucleico) ou de 3 a 6 semanas com os testes de anticorpos.
Por isso, a triagem clínica (questionário antes da doação) é tão importante quanto os testes laboratoriais: ela ajuda a excluir doadores que, mesmo sem saber, possam estar no período de janela imunológica.
Por que a honestidade na triagem é fundamental?
As perguntas da triagem clínica existem para proteger tanto o receptor quanto o próprio doador. Omitir informações relevantes compromete a segurança do sistema e pode expor pacientes vulneráveis a riscos graves.
BloodLink
Tem dúvidas sobre segurança na doação? Acesse o BloodLink e encontre hemocentros credenciados pelo Ministério da Saúde, onde todos os protocolos de segurança são rigorosamente seguidos.