O que são sangue irradiado e sangue leucodepletado?
Sangue irradiado e leucodepletado são hemocomponentes que passam por tratamentos especiais para eliminar células que poderiam causar reações graves em pacientes imunossuprimidos.
Após a coleta, o sangue doado não é transfundido diretamente: ele passa por processos laboratoriais rigorosos para garantir a segurança do receptor. Dois dos tratamentos especiais mais importantes são a irradiação e a leucodepleção.
O que é sangue leucodepletado?
A leucodepleção é a remoção de leucócitos (glóbulos brancos) do hemocomponente por meio de filtros especiais. Ela é indicada para:
- Pacientes que já apresentaram reações febris não hemolíticas em transfusões anteriores
- Receptores de múltiplas transfusões (como pacientes oncológicos)
- Candidatos a transplante de órgãos ou medula óssea
- Recém-nascidos prematuros de muito baixo peso
- Pacientes com infecção por CMV (citomegalovírus) ou em risco de adquiri-la
A retirada dos glóbulos brancos reduz o risco de aloimunização (o organismo do receptor criar anticorpos contra células de futuros doadores), de transmissão do CMV e de reações transfusionais febris.
O que é sangue irradiado?
A irradiação consiste em expor o hemocomponente a uma dose controlada de radiação gama ou raios X. Isso inativa os linfócitos T do doador, que poderiam atacar os tecidos do receptor em pacientes severamente imunossuprimidos — uma complicação chamada Doença do Enxerto contra o Hospedeiro Associada à Transfusão (GVHD-TA), que é rara, mas com alta mortalidade.
Indicações para sangue irradiado: - Pacientes submetidos a transplante de células-tronco hematopoéticas - Recém-nascidos submetidos a exsanguinotransfusão - Doações de parentes em 1º ou 2º grau - Pacientes com imunodeficiências congênitas graves
Como esses hemocomponentes chegam ao doador?
O médico requisita explicitamente "sangue leucodepletado" ou "sangue irradiado" no pedido de transfusão. O banco de sangue do hospital processa ou solicita ao hemocentro os componentes com as especificações corretas.
O doador não precisa fazer nada diferente — toda triagem e processamento especial ocorre após a coleta convencional, conforme a necessidade do receptor.