O que é sangue raro e por que hemocentros pedem doadores com tipos raros?
Sangue raro é uma combinação incomum de antígenos que vai além do tipo ABO e do fator Rh, encontrada em menos de 1 em cada 1.000 pessoas, o que torna esses doadores essenciais para pacientes que não podem receber sangue comum sem risco de reação.
Além do sistema ABO (A, B, AB, O) e do fator Rh (positivo ou negativo), o sangue humano carrega outros sistemas de antígenos menos conhecidos, como Kell, Duffy, Kidd e MNS. Uma pessoa pode ter tipo O negativo comum no ABO/Rh e ainda assim carregar uma combinação rara nesses outros sistemas.
Quem depende de sangue raro
- Pacientes com talassemia, que precisam de transfusões regulares desde a infância
- Pacientes com doença falciforme, que recebem sangue com frequência ao longo da vida
- Pacientes que já desenvolveram anticorpos contra antígenos comuns após transfusões anteriores
Para esses grupos, receber sangue com o antígeno errado em um desses sistemas secundários pode causar uma reação transfusional grave, mesmo com ABO e Rh compatíveis.
Como funciona a busca por doadores raros
Hemocentros e fundações como a Pró-Sangue mantêm cadastros de doadores com fenótipos raros já identificados em exames anteriores. Quando um paciente precisa de sangue com uma combinação específica, o hemocentro consulta esse cadastro e convoca diretamente os doadores compatíveis, muitas vezes por telefone, em caráter de urgência.
No Brasil
A Fundação Pró-Sangue em São Paulo e outros hemocentros de referência mantêm bancos de doadores raros cadastrados nacionalmente, já que a compatibilidade fina costuma exigir buscar o doador certo em várias cidades ou estados.