Quem tem síndrome das pernas inquietas pode doar sangue?
Na maioria dos casos, sim. A síndrome das pernas inquietas não é critério de inaptidão por si só, mas a triagem avalia os medicamentos em uso e os níveis de ferro, já que a deficiência de ferro está ligada à condição.
A síndrome das pernas inquietas (SPI) é um distúrbio neurológico que causa necessidade irresistível de mover as pernas, principalmente à noite, atrapalhando o sono. Ela não é contagiosa nem transmissível pelo sangue — e, por isso, não impede a doação por si só.
O que a triagem avalia
- Medicamentos em uso: agonistas dopaminérgicos (pramipexol, ropinirol), gabapentina e pregabalina geralmente não impedem a doação, mas devem ser informados na triagem para avaliação individual
- Níveis de hemoglobina: o teste do dedo feito antes de toda doação precisa estar dentro da faixa exigida
- Estado geral no dia: estar descansado e ter dormido pelo menos 6 horas na noite anterior
Atenção: SPI e deficiência de ferro
Existe uma relação conhecida entre síndrome das pernas inquietas e baixos estoques de ferro (ferritina baixa) — em parte dos pacientes, a reposição de ferro melhora os sintomas. Isso importa para o doador porque:
- Cada doação de sangue retira cerca de 200 a 250 mg de ferro do organismo
- Doadores frequentes com SPI devem monitorar a ferritina com seu médico
- Se você trata SPI com reposição de ferro, converse com o médico antes de doar regularmente
Quando a doação pode ser adiada
- Hemoglobina abaixo do mínimo no teste de triagem
- Noite anterior sem dormir por causa dos sintomas (sono menor que 6 horas)
- Início recente de um novo medicamento, a critério da triagem
Na triagem
Informe o diagnóstico, os medicamentos e se faz reposição de ferro. Com hemoglobina adequada e quadro controlado, a maioria dos hemocentros libera a doação normalmente.