Quem fez transplante de córnea pode doar sangue?
Em geral, quem fez transplante de córnea está inapto permanentemente para doação de sangue no Brasil, pois pode ter recebido tecido de origem animal ou de doador não rastreável. A avaliação é feita caso a caso na triagem.
O transplante de córnea é um procedimento cirúrgico em que a córnea danificada do paciente é substituída por tecido doado. Por envolver a transferência de tecido biológico de outra pessoa (alotransplante), ele levanta questões específicas para a doação de sangue.
Por que o transplante de córnea afeta a doação de sangue?
A principal preocupação é o risco — mesmo que teórico — de transmissão de agentes infecciosos pelo tecido transplantado. Os critérios regulatórios no Brasil, baseados na RDC nº 34/2014 da Anvisa, estabelecem que:
- Receptores de enxertos de tecidos ou órgãos (incluindo córneas) podem estar sujeitos a inaptidão permanente ou temporária, dependendo da origem do tecido e do rastreamento do doador
- O risco mais frequentemente citado é a transmissão da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurodegenerativa fatal causada por príons, que pode estar presente em tecidos neurais e oculares de doadores não rastreados
- Até a atualidade, casos de transmissão de DCJ por transplante de córnea foram registrados na literatura médica
O que acontece na triagem
Na triagem clínica do hemocentro, você será perguntado sobre cirurgias e procedimentos anteriores, incluindo transplantes. Dependendo do hemocentro e da época do transplante:
- Transplantes realizados antes de 1987 com tecidos de baixo rastreamento podem resultar em inaptidão permanente
- Transplantes mais recentes, com tecido de banco de olhos rastreado, podem ter avaliação mais flexível
- A decisão final é sempre do médico ou enfermeiro que realiza a triagem
O que fazer
Se você fez transplante de córnea e deseja saber se pode doar sangue, leve toda a documentação do procedimento (hospital, data, banco de olhos responsável) ao hemocentro. A triagem avaliará individualmente. Não omita essa informação — ela protege a segurança do receptor.