Quem fez transplante renal pode doar sangue?
Não. Quem recebeu um transplante de rim está permanentemente inapto para doação de sangue, por causa do uso contínuo de medicamentos imunossupressores e do risco associado ao próprio transplante.
Transplante renal e doação de sangue
Quem passou por um transplante de rim entra na lista de condições que geram inaptidão permanente pra doação de sangue no Brasil. A restrição não é sobre a cirurgia em si ter acontecido há muito ou pouco tempo, é sobre a condição continuada que o transplante exige.
Por que a inaptidão é permanente
- Uso vitalício de imunossupressores: quem recebeu um transplante precisa tomar medicamentos que suprimem o sistema imunológico pelo resto da vida, pra evitar rejeição do órgão, e esses medicamentos alteram a resposta imune de quem receberia o sangue doado
- Risco de transmissão de infecção: o sistema imunológico suprimido do receptor de transplante aumenta a chance de infecções que poderiam não aparecer nos exames de triagem padrão
- Doença renal de base: a condição que levou ao transplante, insuficiência renal crônica, também é por si só motivo de inaptidão permanente
O que muda com o tempo
Nada. Diferente de outras cirurgias que têm um prazo de espera e depois liberam a doação, o transplante de órgão sólido é uma condição permanente, não um evento isolado que cicatriza. Isso vale tanto pra quem doou um rim quanto pra quem recebeu.
Dicas para quem fez transplante renal
- Não é preciso procurar o hemocentro pra confirmar, a inaptidão é definitiva e conhecida
- Existem outras formas de contribuir com a causa da doação, como divulgar campanhas pra outras pessoas doarem
- Doadores vivos de rim, quem doou e não quem recebeu, seguem critérios diferentes, avaliados individualmente pelo hemocentro
No Brasil
Os critérios seguem a RDC nº 34/2014 da Anvisa e a Portaria de Consolidação nº 5/2017 do Ministério da Saúde, que classificam transplante de órgão sólido como motivo de inaptidão permanente pra doação de sangue.