Como funciona a coleta de células-tronco periféricas por aférese?
A coleta de células-tronco periféricas usa uma máquina de aférese para filtrar o sangue do doador e separar especificamente as células-tronco que circulam naturalmente no sangue, depois de alguns dias de injeções que estimulam a medula óssea a liberar mais dessas células na corrente sanguínea, uma alternativa menos invasiva à coleta direta de medula óssea.
Por muito tempo, a única forma de coletar célula-tronco pra transplante era retirar diretamente da medula óssea através de um procedimento cirúrgico sob anestesia, mas a partir dos anos 1990 a coleta por aférese periférica se tornou o método mais comum, oferecendo uma alternativa significativamente menos invasiva pro doador.
Por que é preciso estimular o corpo antes da coleta
Em condição normal, poucas células-tronco circulam fora da medula óssea, então nos dias antes da coleta o doador recebe injeções de um fator de crescimento que estimula a medula a liberar uma quantidade muito maior dessas células diretamente na corrente sanguínea, um processo chamado mobilização, que costuma durar cerca de quatro a cinco dias antes do procedimento de coleta em si.
Como funciona o procedimento de coleta
Com as células-tronco já circulando em quantidade suficiente no sangue periférico, o doador é conectado a uma máquina de aférese, parecida com a usada em doação de plaquetas, que filtra o sangue, retém as células-tronco numa bolsa coletora, e devolve o restante do sangue de volta pro doador em tempo real, um procedimento que costuma durar de três a seis horas, podendo exigir mais de uma sessão dependendo da quantidade de células necessária.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns desse processo
O fator de crescimento usado na mobilização costuma causar dor óssea temporária, parecida com dor de crescimento, e sintomas leves de gripe nos dias que antecedem a coleta, efeitos que geralmente desaparecem em poucos dias depois do procedimento terminar, sem deixar sequela permanente conhecida pro doador saudável.
Essa técnica substituiu completamente a coleta direta de medula óssea
Não completamente, a coleta por aférese periférica hoje representa a maioria dos casos, mas a coleta direta de medula óssea através de punção ainda é preferida em situações clínicas específicas, incluindo alguns transplantes pediátricos, onde médicos avaliam que o tipo de célula coletado diretamente da medula oferece uma composição mais adequada pro caso específico do paciente receptor.