Alzheimer impede doação de sangue?
Sim. Alzheimer é critério de inaptidão permanente para doação, tanto por risco de transmissão de proteínas patológicas quanto pelo requisito de consentimento informado autônomo.
A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, caracterizada por depósito de proteína beta-amiloide e tau no cérebro. Em relação à doação de sangue, há dois motivos principais para a inaptidão permanente.
Risco de transmissão de proteínas patológicas
Embora o Alzheimer não seja causado por um príon clássico como a doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD), pesquisas recentes identificaram que: - A proteína beta-amiloide pode ser transmitida via transfusão em modelos animais - Estudos em humanos encontraram associação entre transfusão de sangue de doadores que depois desenvolveram Alzheimer e maior risco no receptor
Por precaução, os protocolos internacionais e brasileiros classificam Alzheimer como inaptidão permanente.
Consentimento informado
A triagem de doação de sangue requer consentimento informado e capacidade de responder ao questionário de forma autônoma. Pacientes com Alzheimer em estágio moderado ou avançado podem não ter essa capacidade — o que por si só inviabiliza a doação.
Regulamentação
A RDC nº 34/2014 inclui doenças neurológicas de causa desconhecida ou com possível componente infeccioso/priônico entre os critérios de inaptidão permanente.
E familiares com Alzheimer?
Se um familiar de primeiro grau (pai, mãe, irmão) tem Alzheimer, isso geralmente não impede o doador saudável de realizar doação. A triagem avalia o próprio doador, não o histórico familiar para essa condição específica.