Por que o sangue às vezes precisa ser aquecido antes da transfusão?
O sangue fica armazenado entre 2 e 6 graus Celsius. Em transfusões de grande volume ou muito rápidas, infundir sangue gelado direto pode causar hipotermia e arritmia cardíaca, por isso um aquecedor específico eleva a temperatura de forma controlada antes de chegar à veia.
Concentrado de hemácias fica armazenado sob refrigeração, entre 2 e 6 graus Celsius, para preservar a validade do componente. Na maioria das transfusões, esse sangue frio é infundido sem problema, porque o volume e a velocidade não chegam a baixar significativamente a temperatura corporal do paciente.
Quando o aquecimento se torna necessário
- Transfusão maciça, quando o paciente recebe grande volume de sangue em pouco tempo, como em hemorragia grave ou cirurgia complexa
- Transfusão em recém-nascidos, que têm menor capacidade de regular a própria temperatura corporal
- Pacientes com crioaglutininas, uma condição em que anticorpos reagem ao frio e podem causar destruição de hemácias se o sangue entrar gelado
- Velocidade de infusão muito alta, comum em situações de emergência
Como o aquecimento é feito
Hospitais usam equipamentos específicos de aquecimento de sangue, que elevam a temperatura de forma gradual e controlada até próximo da temperatura corporal, geralmente entre 35 e 37 graus. Esses equipamentos têm alarme de segurança, porque aquecer demais destrói as hemácias e inutiliza a bolsa.
O que acontece se o sangue frio for infundido sem necessidade de aquecimento
Na transfusão comum, de uma ou duas bolsas em ritmo normal, o próprio corpo compensa a variação de temperatura sem problema. O risco de hipotermia e de arritmia cardíaca aparece especificamente quando o volume é grande e a velocidade é alta, cenário em que a equipe médica já prevê o uso do aquecedor antes de começar.
O doador precisa se preocupar com isso
Não. O aquecimento é uma etapa do momento da transfusão, cuidado do hospital que vai usar o sangue, e não interfere em nada no processo de doação em si.