Astronauta pode doar sangue?
Sim, mas a avaliação foca no tempo recente em microgravidade e na exposição à radiação cósmica, não na profissão em si. Quem voltou de uma missão espacial recente costuma aguardar a estabilização do volume sanguíneo antes de doar.
Astronauta passa meses em microgravidade, condição que reduz o volume de plasma e o número de hemácias circulantes, e é justamente esse ponto que a triagem observa nessa profissão, não o treinamento em si.
O que o hemocentro avalia
- Retorno recente de missão espacial: o corpo leva semanas para repor o volume de plasma e a massa de hemácias perdidos em microgravidade, avaliado individualmente antes da liberação
- Exposição à radiação cósmica durante a missão: monitorada por dosímetro, segue os mesmos princípios usados para trabalhadores expostos à radiação ionizante em solo
- Viagens internacionais associadas ao treinamento ou lançamento: avaliadas conforme os países visitados, como em qualquer viagem
- Condicionamento físico intenso pós-missão: não é motivo de inaptidão por si só
Dicas para quem trabalha no programa espacial
- Informe a data de retorno da última missão na triagem
- Leve o registro de dosimetria acumulada se disponível
- Encontre campanhas do BloodLink perto de centros de pesquisa aeroespacial
No Brasil
A Portaria de Consolidação nº 5/2017 do Ministério da Saúde avalia exposição à radiação pelo acúmulo registrado, sem listar astronauta como categoria de impedimento permanente. O Brasil já teve um astronauta, Marcos Pontes, que voou à Estação Espacial Internacional em 2006.