Quem foi Charles Drew e qual sua contribuição para os bancos de sangue modernos?
Charles Drew foi um cirurgião americano que desenvolveu técnicas de processamento e armazenamento de plasma sanguíneo no fim da década de 1930, tornando possível guardar plasma por muito mais tempo do que sangue total, um avanço que salvou milhares de vidas durante a Segunda Guerra Mundial.
Enquanto Karl Landsteiner tornou a transfusão segura ao descobrir os tipos sanguíneos, Charles Drew resolveu um problema logístico igualmente importante décadas depois, como guardar sangue por tempo suficiente pra estar disponível quando fosse necessário, longe do momento e do local da doação.
A descoberta técnica de Drew
Drew desenvolveu métodos aprimorados de processamento e armazenamento de plasma sanguíneo, a parte líquida do sangue sem as células, que se conserva por muito mais tempo do que sangue total. Esse avanço permitiu estocar plasma em grande escala, algo inviável com sangue total nas condições de conservação da época.
O programa Blood for Britain
Em 1940, Drew dirigiu o programa Blood for Britain, uma iniciativa nos Estados Unidos pra coletar e enviar plasma sanguíneo pro Reino Unido durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, um dos primeiros programas de coleta de sangue em larga escala da história, salvando incontáveis vidas de soldados e civis feridos.
O cargo na Cruz Vermelha americana e a renúncia
Drew se tornou o primeiro diretor médico do programa de banco de sangue da Cruz Vermelha americana. Ele renunciou ao cargo em 1941, em protesto contra a política da instituição de segregar doações de sangue por raça do doador, uma prática sem nenhuma base científica que Drew classificou publicamente como ilógica, já que sangue de pessoas de raças diferentes não tem diferença relevante para fins de transfusão.
O legado de Drew hoje
O trabalho de Drew em processamento de plasma segue como base técnica dos bancos de sangue modernos, e sua postura contra a segregação nas doações é lembrada como um marco na luta por políticas de saúde baseadas em ciência, não em preconceito.