Como o sangue doado é armazenado e por quanto tempo dura?
Cada hemocomponente exige temperatura e prazo de validade específicos — hemácias duram até 42 dias, mas plaquetas vencem em apenas 5 a 7 dias, o que torna a doação frequente essencial.
Condições de armazenamento por hemocomponente
Depois que o sangue doado é processado no hemocentro, cada componente segue para um ambiente de armazenamento rigorosamente controlado. A Anvisa, por meio da RDC 34/2014, estabelece os parâmetros obrigatórios.
| Componente | Temperatura | Validade | Observação |
|---|---|---|---|
| Hemácias | 1 a 6 °C | Até 42 dias | Refrigerador específico com alarme de temperatura |
| Plaquetas | 20 a 24 °C | 5 a 7 dias | Agitação constante obrigatória |
| Plasma fresco congelado | Até −25 °C | Até 1 ano | Deve ser descongelado antes do uso |
| Crioprecipitado | Até −25 °C | Até 1 ano | Fonte concentrada de fatores de coagulação |
Por que as plaquetas têm validade tão curta?
As plaquetas são armazenadas em temperatura próxima ao ambiente (20–24 °C) — o que é necessário para manter sua função biológica. Esse mesmo calor, porém, favorece o crescimento bacteriano e acelera a degradação celular. A agitação constante (em equipamentos chamados agitadores de plaquetas) serve para evitar que as células se agreguem e percam atividade.
O resultado prático é uma janela de uso muito estreita: em média 5 dias após a coleta. Isso cria escassez crônica de plaquetas nos hemocentros — pacientes em quimioterapia, transplantes e cirurgias cardíacas são os mais afetados.
O que acontece com o sangue vencido ou reprovado na triagem?
Hemocomponentes que vencem sem uso ou que não passam pelos testes sorológicos não são simplesmente jogados fora. Por serem materiais biológicos, precisam de descarte controlado como resíduo de serviço de saúde — incineração ou tratamento autoclávico, conforme as normas da Anvisa e da ABNT NBR 10.004.
Por que não é possível estocar sangue "em excesso"?
A validade limitada — especialmente das plaquetas — significa que um estoque muito grande hoje não resolve a demanda de amanhã. O fluxo de doações precisa ser constante e proporcional ao consumo real dos hospitais. Doação em excesso em relação à demanda leva a descarte, o que desperdiça o esforço dos doadores. Por isso, hemocentros trabalham com gestão ativa de estoque e campanhas direcionadas conforme o tipo sanguíneo em falta.