Qual a diferença entre doação de sangue total e de hemocomponentes?
Na doação de sangue total, 450 ml são coletados e processados depois no hemocentro. Na aférese, uma máquina separa o componente desejado durante a coleta e devolve o restante ao doador.
Sangue total: a modalidade mais comum
Na doação de sangue total, o processo é simples: cerca de 450 ml de sangue são coletados em uma bolsa e enviados ao hemocentro. Lá, por meio de centrifugação, o sangue é separado em até três componentes distintos — hemácias, plaquetas e plasma. Cada componente vai para uma bolsa individual e pode beneficiar pacientes diferentes.
É a forma mais rápida de doação (8 a 10 minutos de coleta) e a mais difundida nos hemocentros brasileiros.
Hemocomponentes por aférese: precisão na coleta
Na aférese, uma máquina conectada ao doador separa o componente desejado em tempo real e devolve o restante ao organismo. O processo é mais longo — pode durar de 45 minutos a 2 horas — mas resulta em uma concentração muito maior do componente coletado.
Os principais tipos de aférese são:
- Plaquetaférese — coleta de plaquetas (o mais comum por aférese)
- Plasmaférese — coleta de plasma
- Eritroaférese — coleta de hemácias
- Leucaférese — coleta de leucócitos (menos frequente)
Comparação entre as modalidades
| Modalidade | Componente separado | Duração da coleta | Frequência máxima |
|---|---|---|---|
| Sangue total | Hemácias + plaquetas + plasma | 8–10 min | A cada 60 dias (homens) / 90 dias (mulheres) |
| Plaquetaférese | Plaquetas concentradas | 45–90 min | A cada 72 horas (até 24x/ano) |
| Plasmaférese | Plasma | 45–60 min | A cada 15 dias |
| Eritroaférese | Hemácias | 30–60 min | A cada 60–90 dias |
Por que os dois modelos coexistem?
A escolha entre sangue total e aférese depende de logística e necessidade clínica. Hemocentros menores tendem a operar principalmente com sangue total por ser mais simples de executar em larga escala. Já centros de referência utilizam a aférese para atender demandas específicas — como pacientes oncológicos que precisam de plaquetas em alta concentração ou pacientes em plasmaférese terapêutica.
Ambas as formas de doação são seguras, regulamentadas pela Anvisa (RDC 34/2014) e essenciais para manter o estoque de hemocomponentes dos hospitais.