É possível cultivar hemácias em laboratório para transfusão?
Sim, cientistas já conseguiram cultivar hemácias a partir de células-tronco em laboratório e transfundir esse sangue cultivado em voluntários num estudo clínico no Reino Unido em 2022, mas a técnica ainda está longe de substituir a doação tradicional em escala.
Em 2022, pesquisadores do NHS Blood and Transplant e da Universidade de Bristol, no Reino Unido, conduziram o primeiro estudo clínico do mundo transfundindo hemácias cultivadas em laboratório em voluntários humanos, dentro do estudo chamado RESTORE.
Como o cultivo funciona
- Células-tronco são extraídas de uma doação de sangue comum
- Em laboratório, essas células-tronco são estimuladas a se multiplicar e amadurecer até virarem hemácias funcionais
- O processo leva cerca de três semanas pra produzir uma quantidade de hemácias que, numa doação convencional, sai pronta em poucos minutos
Por que isso interessa mesmo sendo lento e caro
Hemácias cultivadas em laboratório saem todas com a mesma idade celular, recém-formadas, enquanto uma bolsa de doação normal mistura células em diferentes estágios de vida. Em tese, hemácias mais jovens duram mais tempo na circulação do receptor, o que poderia beneficiar pacientes que precisam de transfusões frequentes, como pessoas com anemia falciforme, reduzindo a frequência de novas transfusões.
Por que não substitui a doação
O custo e o tempo de produção de hemácias cultivadas ainda são ordens de grandeza maiores que os de uma doação voluntária. O objetivo dos pesquisadores não é substituir hemocentros, é eventualmente complementar o estoque pra casos raros, como pacientes com tipos sanguíneos ultra raros ou múltiplos anticorpos, onde encontrar um doador compatível já é difícil.
A doação continua sendo, de longe, a forma mais rápida e barata de produzir sangue transfundível. Saber que a ciência já consegue cultivar hemácias do zero muda como você enxerga o valor da doação que leva poucos minutos do seu dia?