Por que nos Estados Unidos existe doação remunerada de sangue e no Brasil não?
Nos Estados Unidos é legal pagar por doação de plasma, o que sustenta boa parte da produção mundial de medicamentos derivados de plasma, enquanto no Brasil a Lei do Sangue proíbe qualquer forma de compra e venda, exigindo que toda doação seja voluntária e gratuita.
O Brasil regula doação de sangue pela Lei nº 10.205/2001, conhecida como Lei do Sangue, que estabelece que toda doação deve ser voluntária, anônima, altruísta e gratuita, proibindo explicitamente a compra e venda de sangue e hemoderivados no país.
Como funciona nos Estados Unidos
Doação de sangue total nos EUA também costuma ser voluntária e não remunerada, seguindo recomendação de órgãos de saúde. A diferença está no plasma: empresas comerciais americanas operam centros que pagam doadores regulares por doação de plasma via aférese, um mercado que movimenta bilhões de dólares por ano.
Por que essa diferença existe
- Nos EUA, o argumento a favor do pagamento é que ele aumenta o volume de plasma coletado, e o país hoje fornece a maior parte do plasma usado pra fabricar imunoglobulina e outros hemoderivados no mundo inteiro
- No Brasil e na maioria dos países que seguem a diretriz da Organização Mundial da Saúde, o argumento contra o pagamento é que ele incentiva doadores a esconder condições de saúde ou hábitos de risco pra não perder a remuneração, o que reduziria a segurança do sangue coletado
O tradeoff real
Sistemas remunerados tendem a captar mais volume, mas correm risco maior de doador omitir informação de triagem por interesse financeiro. Sistemas voluntários tendem a ter doadores mais motivados por causa em vez de dinheiro, o que historicamente resulta em sangue mais seguro, ao custo de volume menor e mais dependência de campanhas de conscientização.
O Brasil escolheu segurança sobre volume, e por isso depende inteiramente de quem doa por vontade própria pra manter os estoques dos hemocentros. Saber que outro país resolve esse mesmo problema pagando muda como você vê o valor da sua própria doação voluntária?