O que é exsanguineotransfusão e quando é usada em recém-nascidos?
É um procedimento que substitui gradualmente quase todo o sangue do bebê por sangue de doadores compatíveis, usado em casos graves de icterícia ou doença hemolítica do recém-nascido.
Exsanguineotransfusão é um procedimento pouco conhecido fora da neonatologia, mas essencial em alguns casos graves logo após o nascimento.
O que é o procedimento
- Consiste em remover pequenas quantidades do sangue do recém-nascido e substituí-las por sangue de doador compatível, repetindo o processo até que uma proporção significativa do volume sanguíneo total do bebê tenha sido trocada
- É realizado em ambiente de UTI neonatal, sob monitoramento rigoroso dos sinais vitais do bebê durante todo o procedimento
Quando é indicado
- Casos graves de icterícia neonatal, quando os níveis de bilirrubina no sangue do bebê atingem valores perigosos, com risco de dano neurológico (kernicterus)
- Doença hemolítica do recém-nascido, causada por incompatibilidade Rh ou de outros grupos sanguíneos entre mãe e bebê, quando os anticorpos maternos já destruíram grande parte das hemácias do bebê
Por que a troca de sangue resolve esses casos
- Remove diretamente a bilirrubina em excesso e os anticorpos maternos ainda circulantes no sangue do bebê
- Substitui as hemácias já danificadas pelos anticorpos por hemácias saudáveis e compatíveis, aliviando a demanda da medula óssea do recém-nascido, que ainda está imatura
Por que isso depende diretamente da doação de sangue
Esse procedimento exige sangue com critérios de compatibilidade bastante específicos para recém-nascidos, incluindo, em muitos casos, hemácias mais "frescas" (com validade menor) do que o padrão usado em transfusões adultas — reforçando a importância de um estoque diverso e constantemente reposto por doadores voluntários.