Gêmeos univitelinos podem ter tipos sanguíneos diferentes por quimerismo?
Em casos raros, sim. Quando gêmeos univitelinos compartilham a mesma placenta e há troca de sangue entre eles ainda no útero, cada um pode acabar carregando duas populações de células sanguíneas, fenômeno chamado quimerismo sanguíneo.
Gêmeos univitelinos (idênticos) vêm do mesmo óvulo fecundado e por isso compartilham o mesmo DNA original. Na maioria dos casos eles também têm o mesmo tipo sanguíneo, já que o tipo sanguíneo é geneticamente determinado.
Onde entra o quimerismo
Quando os dois gêmeos compartilham a mesma placenta, os vasos sanguíneos de cada um podem se conectar ainda durante a gestação, permitindo que células-tronco produtoras de sangue de um feto migrem pro outro. O resultado é que cada gêmeo nasce com duas populações de células sanguíneas circulando ao mesmo tempo, a própria e a do irmão.
Por que isso importa na prática
- Um exame de tipagem sanguínea pode mostrar dois tipos diferentes coexistindo na mesma amostra
- Testes de DNA feitos a partir do sangue desse gêmeo podem, em teoria, apontar pro perfil genético do irmão em vez do próprio, o que já gerou casos reais de confusão em exames de paternidade
- Pra doação e transfusão, o hemocentro tipa o sangue da forma como ele se apresenta no momento da coleta, então o quimerismo raramente é um problema prático pro doador
O fenômeno é raro, mas documentado o suficiente pra ser um dos motivos pelos quais laboratórios de genética às vezes pedem uma segunda amostra, de saliva ou outro tecido, quando o resultado de um exame de sangue não bate com o esperado.
Você sabia que duas pessoas com o mesmo DNA de nascença ainda assim podem carregar sangues de origens diferentes dentro do próprio corpo?