Blockchain pode ser usado na rastreabilidade de bolsas de sangue?
Hemocentros em alguns países já testam registrar em blockchain cada etapa da bolsa de sangue, da coleta até a transfusão, como camada extra de auditoria que soma-se ao sistema de rastreabilidade e hemovigilância já exigido por lei no Brasil.
O Brasil já exige rastreabilidade completa do ciclo do sangue: cada bolsa recebe um código único que registra doador, exames realizados, processamento em hemocomponentes, armazenamento e o hospital e paciente que a receberam. Esse sistema hoje roda em bancos de dados centralizados dos próprios hemocentros e é reportado à rede nacional de hemovigilância.
O que o blockchain adicionaria
- Um registro distribuído, em vez de centralizado num único banco de dados, dificulta que um único ponto de falha ou uma alteração isolada corrompa o histórico da bolsa
- Cada etapa (coleta, exame, processamento, transporte, transfusão) vira um bloco assinado digitalmente, criando uma cadeia auditável por qualquer parte autorizada da rede, não só pelo hemocentro de origem
- Em tese, facilita auditorias entre instituições diferentes que hoje precisam trocar planilhas ou acessar sistemas separados pra reconstruir o histórico completo de uma bolsa
Por que ainda é experimental
Projetos-piloto existem em bancos de sangue de outros países, testando principalmente o rastreamento entre hemocentro e hospital receptor. No Brasil, o sistema de rastreabilidade já atende às exigências da Anvisa e do Ministério da Saúde, então blockchain apareceria como camada adicional de auditoria, não como substituto do sistema atual.
O paralelo com a experiência do doador
Você não vê essa tecnologia no momento da doação, mas ela é o motivo pelo qual, em caso de problema, é possível remontar exatamente por onde aquela bolsa específica passou.
Faz diferença pra você, como doador, saber que existe um sistema capaz de rastrear cada etapa da sua doação até o paciente final?