Quem teve leucemia e está em remissão pode doar sangue?
Não. Leucemia é inaptidão permanente para doação de sangue no Brasil, mesmo após remissão completa e anos sem recorrência. O câncer do sangue contraindica a doação definitivamente.
As leucemias são cânceres das células sanguíneas e da medula óssea. Existem vários tipos — leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia linfocítica aguda (LLA), leucemia mieloide crônica (LMC) e leucemia linfocítica crônica (LLC) — e todos impõem inaptidão permanente para doação de sangue.
Por que leucemia é inaptidão permanente?
1. Câncer do sistema hematopoiético
A leucemia afeta diretamente as células que compõem o sangue. Mesmo em remissão completa, há possibilidade de doença mínima residual — células leucêmicas em números indetectáveis pelos métodos convencionais que permanecem na medula óssea.
2. Risco de transmissão ao receptor
A transfusão de sangue com células leucêmicas residuais, mesmo que indetectáveis, representa risco real para receptores imunocomprometidos — transplantados, pacientes em quimioterapia ou com HIV avançado.
3. Regulamentação (RDC nº 34/2014)
A Anvisa lista neoplasias hematológicas (cânceres do sangue) como critério de inaptidão permanente, independentemente do tempo em remissão.
4. Histórico de tratamento
Quimioterapia, radioterapia e transplante de medula óssea (comuns no tratamento de leucemia) geram períodos próprios de inaptidão que, somados à doença em si, consolidam a exclusão permanente.
Diferença: leucemia x cânceres de órgãos sólidos
Cânceres de órgãos sólidos (mama, próstata, cólon) podem, em alguns casos, ser avaliados individualmente após anos em remissão. Leucemias — por envolverem diretamente o sangue — têm critérios mais rígidos e exclusão permanente na maioria dos protocolos.
Se você teve leucemia e quer contribuir
- Incentive familiares e amigos aptos a doarem
- Mantenha seu cadastro no REDOME (medula óssea) — avaliado individualmente
- Apoie campanhas de doação de sangue, especialmente para pacientes oncológicos que dependem de transfusões