Qual a diferença entre a leucorredução feita no momento da coleta e a feita depois em laboratório?
Leucorredução, a remoção de glóbulos brancos de um componente sanguíneo, pode ser feita através de um filtro integrado à própria bolsa de coleta logo após a doação, ou depois, já no laboratório do hemocentro, e a diferença principal está em quão cedo esses glóbulos brancos, que podem causar reação transfusional, são removidos do processo.
Glóbulos brancos presentes numa bolsa de sangue não são o componente terapêutico principal buscado na maioria das transfusões, e a presença deles pode causar reações febris no paciente receptor ou aumentar o risco de sensibilização imunológica contra transfusões futuras, motivo pelo qual muitos protocolos de banco de sangue removem a maior parte desses glóbulos brancos antes do componente ser liberado pra uso.
Como funciona a leucorredução feita logo após a coleta
Nesse modelo, a própria bolsa de coleta já vem equipada com um filtro integrado, e logo depois da doação, ainda dentro do sistema fechado e estéril, o sangue passa por esse filtro antes de qualquer outro processamento, removendo a maior parte dos glóbulos brancos poucas horas depois da doação ter acontecido, num processo considerado mais eficaz porque intercepta os glóbulos brancos antes deles começarem a se degradar e liberar substâncias que poderiam causar reação no receptor.
Como funciona a leucorredução feita depois, em laboratório
Nesse modelo, o sangue total passa primeiro pelos processos normais de centrifugação e separação de componentes, e só depois, já em laboratório, uma etapa adicional de filtragem remove os glóbulos brancos de cada componente separado, um processo que pode acontecer horas ou até mais de um dia depois da coleta original.
Por que o momento da filtragem importa clinicamente
Glóbulos brancos armazenados por mais tempo antes da remoção tendem a liberar mais citocinas, substâncias inflamatórias associadas a reação febril em quem recebe a transfusão, então filtrar mais cedo, ainda próximo do momento da coleta, tende a produzir um componente final com menor risco desse tipo específico de reação comparado a uma filtragem feita várias horas depois.
Os dois métodos são igualmente usados no Brasil
A prática varia por hemocentro e por disponibilidade de recurso, hemocentros com orçamento maior tendem a adotar filtragem integrada logo após a coleta como padrão pra toda doação, enquanto redes com recurso mais limitado podem reservar a leucorredução, seja qual for o momento escolhido, apenas pra pacientes com indicação clínica específica que realmente se beneficiam dela.