Quanto sangue uma cirurgia cardíaca consome em média?
Cirurgias cardíacas complexas, como pontes de safena ou trocas de válvula, podem consumir entre 2 e 6 bolsas de hemácias, além de plaquetas e plasma, dependendo da complexidade e de possíveis complicações.
Cirurgias cardíacas estão entre os procedimentos que mais consomem hemocomponentes em um hospital, principalmente por causa do uso de circulação extracorpórea (a "máquina coração-pulmão") durante o procedimento.
Por que esse tipo de cirurgia consome tanto sangue
- A circulação extracorpórea dilui o sangue do paciente e pode afetar a função de coagulação temporariamente, aumentando o risco de sangramento durante e após a cirurgia
- Procedimentos como revascularização do miocárdio (ponte de safena) e troca de válvulas cardíacas envolvem manipulação direta do coração e grandes vasos, com risco de sangramento maior que cirurgias em outras áreas do corpo
- Casos de reoperação (segunda cirurgia cardíaca na mesma pessoa) tendem a ser ainda mais complexos e sangrentos, por causa da aderência de tecido cicatricial de cirurgias anteriores
Quantidade média consumida
- Cirurgias cardíacas eletivas, sem complicações, costumam usar entre 2 e 4 bolsas de hemácias
- Casos mais complexos ou com sangramento maior que o esperado podem consumir 6 bolsas ou mais, além de plaquetas e plasma fresco congelado para ajudar na coagulação
- Emergências cardíacas graves, como dissecção de aorta, podem consumir volumes ainda maiores, exigindo protocolo de transfusão maciça
Por que isso reforça a necessidade de estoque hospitalar
Justamente por causa desse consumo elevado e pouco previsível, hospitais com centro cirúrgico cardíaco precisam manter estoque próprio robusto de hemocomponentes, reabastecido constantemente pelo hemocentro de referência — o que só é possível com um fluxo constante de doadores voluntários.