Como funciona a rastreabilidade de uma bolsa de sangue doado?
Cada bolsa recebe um código de identificação único no momento da coleta, que acompanha o sangue por todas as etapas, triagem, processamento, armazenamento e transfusão, permitindo saber exatamente de qual doação veio cada unidade usada num paciente.
Rastreabilidade é a capacidade de acompanhar uma bolsa de sangue do momento da coleta até o uso final no paciente, incluindo cada etapa do processo pelo meio do caminho. É um dos pilares de segurança do sistema hemoterápico, exigido pela regulamentação da Anvisa.
O que o código de rastreabilidade registra
- Data, horário e local da coleta
- Resultado de cada exame de triagem realizado
- Todos os hemocomponentes gerados a partir daquela bolsa
- Local de armazenamento e movimentações até o uso
- Hospital, médico responsável e paciente que recebeu o componente, quando aplicável
Por que isso importa na prática
Se um paciente apresenta reação após uma transfusão, a rastreabilidade permite localizar rapidamente a bolsa exata usada e investigar se algo no processo, desde a coleta até a liberação, precisa de atenção. O mesmo sistema funciona ao contrário, se surge alguma informação nova sobre o doador depois da coleta, dá pra rastrear todos os hemocomponentes gerados daquela doação específica.
A tecnologia usada
A maioria dos hemocentros já trabalha com código de barras ou etiqueta com identificação única aplicada na bolsa logo na coleta, integrado a um sistema informatizado que registra cada movimentação. Sistemas mais antigos, ainda em transição em alguns serviços menores, dependem mais de registro manual complementado por planilha.
A nova regulamentação muda algo nisso
Sim. A Portaria GM/MS nº 11.685/2026, que entra em vigor em 30 de setembro de 2026, reforça exigências de rastreabilidade e hemovigilância dentro da atualização geral do regulamento técnico de hemoterapia, mantendo a linha já estabelecida pela RDC nº 34/2014 da Anvisa, hoje em vigor.
O doador tem acesso a esse rastreamento
O doador recebe informação sobre o resultado dos próprios exames de triagem, mas não tem acesso ao destino final da bolsa depois da doação, informação protegida por sigilo médico do paciente que recebe a transfusão.