Quem já teve câncer e está curado pode doar sangue?
Depende do tipo de câncer. Pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, a maioria dos tumores sólidos pode ser reavaliada 5 anos após o fim do tratamento, com cura ou remissão confirmada. Melanoma e cânceres que se originam no próprio sangue ou na medula óssea, como leucemia e linfoma, continuam com impedimento permanente.
Atualização (Portaria GM/MS nº 11.685/2026): o novo regulamento técnico de hemoterapia, em vigor desde o fim de setembro de 2026, formalizou como regra nacional um prazo de 5 anos de remissão completa, sem recidiva e sem doença ativa, pra reavaliar a aptidão da maioria dos tipos de câncer. Substitui a antiga RDC nº 34/2014 da Anvisa nesse critério.
A avaliação de aptidão pra doar sangue após um histórico de câncer depende fundamentalmente de onde aquele câncer se originou. Essa distinção existe porque um câncer que se originou nas próprias células do sangue carrega um tipo de risco diferente de um tumor sólido que se originou noutro órgão e foi removido ou tratado com sucesso.
Tumores sólidos com longa remissão
Câncer de origem sólida, como em um órgão específico, tratado com sucesso e sem nenhum sinal de recidiva, pode ser reavaliado 5 anos após o fim do tratamento, desde que haja cura ou remissão completa confirmada e nenhuma doença ativa no momento da triagem. O hemocentro ainda avalia o caso individualmente, considerando o tipo específico de câncer e o tratamento realizado, mas agora com um prazo de referência nacional.
Exceções que continuam com impedimento permanente
Dois grupos continuam com impedimento permanente mesmo após remissão confirmada:
- Melanoma: mesmo curado, mantém-se o risco teórico de células tumorais circulantes
- Cânceres de origem no sangue ou na medula óssea: leucemia, linfoma, mieloma múltiplo e outros que se originam diretamente nas células do sangue ou na medula óssea responsável por produzir essas células, já que a própria origem do câncer está na fonte do material que seria coletado
A avaliação continua individual
Mesmo com o prazo de 5 anos formalizado, cada tipo de câncer, cada tratamento e cada histórico de remissão são diferentes, e a decisão final passa por uma avaliação médica individual no hemocentro. Vale procurar a equipe responsável com o histórico detalhado do diagnóstico e do tratamento pra saber se e quando a doação seria considerada segura no seu caso específico.