Síndrome de DiGeorge impede a doação de sangue?
Sim, na maioria dos casos, de forma permanente. A síndrome de DiGeorge causa imunodeficiência primária por desenvolvimento incompleto do timo, além de malformação cardíaca associada em boa parte dos casos, o que costuma impedir a doação.
A síndrome de DiGeorge, também chamada de síndrome de deleção 22q11.2, é uma condição genética causada pela perda de um pequeno trecho do cromossomo 22. Ela afeta o desenvolvimento de várias estruturas formadas no início da gestação, com destaque para o timo, glândula responsável por amadurecer os linfócitos T do sistema imunológico.
Por que a síndrome de DiGeorge costuma impedir a doação
- Imunodeficiência primária: o timo pouco desenvolvido produz menos linfócitos T maduros, comprometendo a resposta imune contra infecção, o que é considerado critério de inaptidão na maioria dos hemocentros
- Malformação cardíaca congênita: mais da metade dos casos apresenta algum defeito cardíaco estrutural, muitos deles corrigidos cirurgicamente na infância, e cardiopatia congênita corrigida costuma manter avaliação restritiva
- Hipoparatireoidismo associado: a glândula paratireoide também pode se desenvolver de forma incompleta, causando alteração no cálcio que precisa de acompanhamento contínuo
Gravidade variável
A síndrome de DiGeorge tem apresentação bem variável, de quadros graves diagnosticados ainda bebê a formas leves identificadas só na vida adulta, às vezes durante investigação de outro problema de saúde na família. Mesmo nas formas mais leves, a imunodeficiência de base costuma ser suficiente para manter a inaptidão, mas a avaliação é sempre individual.
O que levar à triagem
Leve o diagnóstico confirmado, o histórico cardíaco e cirúrgico, se houver, e informe se faz acompanhamento imunológico ou uso de reposição de cálcio. A equipe médica do hemocentro avalia o quadro completo antes de qualquer decisão.