Febre familiar do Mediterrâneo impede a doação de sangue?
Depende do controle da doença. Febre familiar do Mediterrâneo bem controlada com colchicina, sem crise ativa e sem sinal de amiloidose, pode ser avaliada individualmente. Amiloidose renal associada costuma impedir a doação.
A febre familiar do Mediterrâneo é a mais comum das doenças autoinflamatórias hereditárias, causada por mutação no gene MEFV, mais frequente em pessoas de origem armênia, judaica sefardita, turca e árabe. Ela causa episódios recorrentes e imprevisíveis de febre alta acompanhados de dor abdominal, dor articular ou dor no peito, cada crise durando tipicamente de um a três dias.
Por que o controle da doença importa
- Durante uma crise: febre ativa e dor aguda impedem a doação até a resolução completa do episódio, como em qualquer quadro febril agudo
- Entre as crises, bem controlada: quem usa colchicina regularmente e tem os episódios bem espaçados e controlados, sem sinal de inflamação crônica, pode ser avaliado individualmente pelo hemocentro fora dos períodos de crise
- Amiloidose renal: a complicação mais grave da doença não tratada é o acúmulo de proteína amiloide nos rins, que pode evoluir para doença renal crônica; quando presente, esse comprometimento renal costuma impedir a doação de forma permanente
Colchicina e doação
A colchicina, tratamento padrão e altamente eficaz para prevenir crises e amiloidose, não é por si só um impedimento para a doação. O ponto de atenção da triagem é a estabilidade clínica atual e a função renal, não o medicamento isolado.
Leve à triagem o diagnóstico confirmado, a frequência recente de crises, exames de função renal e a dose de colchicina em uso.