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Doação de sangue

Como funciona a aférese de linfócitos usada para fabricar terapia celular CAR-T?

A aférese de linfócitos, também chamada de leucaférese, usa uma máquina parecida com a de plaquetaférese pra coletar especificamente os linfócitos T do próprio paciente, que depois são enviados a um laboratório especializado onde são geneticamente modificados para reconhecer e atacar células cancerígenas, num processo que resulta na terapia conhecida como CAR-T.

A terapia CAR-T, uma das abordagens mais avançadas no tratamento de certos tipos de câncer do sangue, começa com uma etapa que depende diretamente da mesma tecnologia de aférese usada em doação de plaquetas, só que aplicada não a um doador voluntário, mas ao próprio paciente que vai receber o tratamento depois.

Como funciona a coleta de linfócitos

O paciente é conectado a uma máquina de aférese que filtra o sangue e separa especificamente a camada de glóbulos brancos, com foco nos linfócitos T, um subtipo específico de célula de defesa, devolvendo o restante do sangue de volta pro paciente em tempo real, um procedimento parecido em duração e desconforto com uma doação de plaquetas comum, geralmente entre duas e quatro horas.

O que acontece com os linfócitos depois da coleta

As células coletadas são enviadas a um laboratório especializado, onde passam por modificação genética que insere um receptor artificial na superfície delas, chamado receptor de antígeno quimérico, ou CAR na sigla em inglês, um receptor desenhado especificamente pra reconhecer uma proteína presente nas células cancerígenas daquele paciente, um processo de fabricação que costuma levar semanas antes das células modificadas voltarem prontas pra infusão.

Por que usar as próprias células do paciente em vez de um doador

Usar linfócitos do próprio paciente elimina o risco de rejeição imunológica que uma célula de doador externo enfrentaria, e o sistema imunológico do paciente, uma vez modificado geneticamente pra reconhecer o câncer específico dele, consegue atacar as células doentes com uma precisão que tratamentos tradicionais como quimioterapia não conseguem replicar, já que a quimioterapia ataca de forma mais generalizada, não seletiva.

Essa tecnologia tem relação direta com a doação voluntária de sangue

Só na base tecnológica compartilhada, a máquina de aférese usada é essencialmente a mesma tecnologia que separa componentes numa doação voluntária de plaquetas ou plasma, mas o contexto é completamente diferente, aqui é o próprio paciente doente passando pelo procedimento em benefício do próprio tratamento, não um doador saudável ajudando outra pessoa.

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