Síndrome de hiper-IgM impede a doação de sangue?
Sim, de forma permanente. A síndrome de hiper-IgM é uma imunodeficiência primária que impede o sistema imune de produzir anticorpos protetores de forma adequada, gerando infecção recorrente e exigindo reposição contínua de imunoglobulina.
A síndrome de hiper-IgM é um grupo de imunodeficiências primárias raras em que os linfócitos B não conseguem trocar a produção do anticorpo IgM por outros tipos de anticorpo mais especializados, como IgG e IgA, processo chamado de troca de classe de imunoglobulina. O resultado é um sistema imune que produz bastante IgM mas quantidade insuficiente dos anticorpos que realmente protegem contra a maioria das infecções do dia a dia.
Por que a síndrome de hiper-IgM impede a doação
- Deficiência funcional de anticorpo: apesar do nível normal ou alto de IgM, a falta de IgG e IgA deixa a pessoa vulnerável a infecção bacteriana recorrente, principalmente respiratória e intestinal
- Reposição contínua de imunoglobulina: o tratamento padrão é infusão regular de imunoglobulina humana pelo resto da vida, o que por si só já é critério de inaptidão enquanto em uso
- Forma ligada ao X mais grave: a variante mais comum, causada por mutação no gene CD40L, também compromete a função de outras células imunes, aumentando ainda mais o risco de infecção oportunista
Tratamento com transplante de medula óssea
Nas formas mais graves, principalmente a ligada ao X diagnosticada na infância, o transplante de células-tronco hematopoiéticas é considerado tratamento potencialmente curativo, e esse histórico mantém a inaptidão permanente.
Leve à triagem o diagnóstico completo, o esquema de reposição de imunoglobulina e o histórico de infecção recente.