Síndrome de Alport impede a doação de sangue?
Depende do estágio. Síndrome de Alport em fase inicial, sem insuficiência renal e sem perda auditiva progressiva significativa, pode ser avaliada individualmente. Doença renal crônica estabelecida costuma impedir a doação.
A síndrome de Alport é uma doença genética rara que afeta o colágeno tipo IV, uma proteína estrutural presente nos rins, nos ouvidos e nos olhos. O defeito compromete progressivamente a membrana filtrante dos rins, levando a perda de função renal ao longo do tempo, além de causar perda auditiva neurossensorial e alterações oculares características.
Por que o estágio da doença importa
- Fase inicial, função renal preservada: jovens com diagnóstico recente, sem proteinúria significativa e sem queda da função renal, podem ser avaliados individualmente para doação, já que o principal impedimento vem do comprometimento renal, não do diagnóstico genético isolado
- Doença renal crônica estabelecida: conforme a função renal declina, o quadro passa a seguir os mesmos critérios de qualquer doença renal crônica, o que costuma impedir a doação, principalmente a partir de estágios moderados
- Diálise ou transplante renal: pacientes em diálise ou que já fizeram transplante renal têm inaptidão permanente para doação, como em qualquer outra causa de falência renal terminal
Perda auditiva e alteração ocular
A perda auditiva e as alterações na córnea ou no cristalino associadas à síndrome de Alport não são, por si só, critério de exclusão. O que pesa na avaliação é exclusivamente o estágio da função renal.
Leve à triagem exames recentes de função renal, como creatinina e taxa de filtração glomerular, além do diagnóstico completo, para que a equipe médica avalie seu estágio específico da doença.